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Funcionários do transporte público de Salvador fazem paralisação nesta quinta-feira; ‘queremos nossa dignidade’, diz sindicato

Paralisação acontece na manhã desta quinta-feira (20) nas garagens da empresa Plataforma e OTTRANS.

Funcionários do transporte público de Salvador fazem uma paralisação, na manhã desta quinta-feira (20), para cobrar os direitos dos funcionários que eram ligados ao antigo Consórcio Salvador Norte (CSN). De nove garagens na capital baiana, duas estão paralisadas e sete funcionam normalmente.

A paralisação acontece nas garagens da empresa Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, e OTTrans, em Campinas de Pirajá. De acordo com Fabio Primo, vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, houve um descumprimento de acordos feitos pela gestão municipal e pelas empresas dos coletivos.

Ainda de acordo com Fabio Primo, alguns trabalhadores não receberam as rescisões, nem o 13º salário proporcional.

“Para se ter uma ideia, as licenças-maternidade de seis gestantes que estavam no REDA já tiveram parecer favorável da procuradoria do município, mas o secretário Thiago Dantas, [da Secretaria de Gestão], não despacha para que elas [gestantes] recebam”, explicou.

“A cidade hoje tem 1,7 mil ônibus, mas antes tinha 2,4 mil. Os ônibus estão lotados diariamente, precisamos de mais coletivos na cidade, [até porque] dia 1º de fevereiro voltam às aulas”, complementou.

Fabio Primo ainda afirmou que o Sindicato tentou contato com a Secretaria de Mobilidade (Semob) e com a Secretaria de Gestão (Semge), no entanto, não obteve retorno.

“A prefeitura tem ajudado com a questão de cesta básica, é muito importante, mas o que os trabalhadores precisam no momento é da sua dignidade, porque tem trabalhador de 30, 40 anos, que prestou sua saúde e juventude ao sistema do transporte e hoje está em casa sem poder dar um pão ao seu filho”.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, telejornal da TV Bahia, nesta quinta-feira, o secretário municipal de mobilidade, Fabrizzio Muller, disse que a pasta tem contato periódico com o Sindicato dos Rodoviários.

“Essa paralização não foi informada com antecedência. A partir da movimentação do sindicado, por volta de 4h da manhã, fizemos um reajuste. Importante deixar claro que a prefeitura não tem nenhum tipo de responsabilidade com pagamento dos funcionários da antiga CSN. A empresa deu terrenos nesse acordo, mas eles precisam ser vendidos, e a prefeitura não tem nenhum ipo de gestão sobre essa venda”, afirmou.

“Desde 4h da manhã quando nossa equipe chegou nas garagens, já foram remanejadas linhas para atender as estações. Remanejamos linhas que estão rodando para atender dos bairros até as estações”, complementou.

Na última terça-feira (18), um grupo de rodoviários, demitidos após a extinção da CSN realizou um protesto nas imediações da Estação da Lapa. Os manifestantes cobraram o pagamento de indenização e os direitos trabalhistas.

Na ocasião, a Semob informou que desde o primeiro momento do impasse entre os rodoviários e a empresa CSN, tem atuado para que a situação fosse resolvida o mais breve possível. No entanto, segundo a prefeitura, o pagamento das verbas trabalhistas é de responsabilidade da CSN.

A TV Bahia entrou em contato com os responsáveis pelo consórcio, bem como com a Semge, e aguarda um posicionamento.

Rescisão e protestos

O contrato entre o Consórcio e a prefeitura de Salvador foi rescindido em 27 de março de 2021. O prefeito Bruno Reis disse que a decisão foi tomada após relatório de auditoria apontar diversas irregularidades na gestão do contrato, por parte da empresa. Segundo o chefe do Executivo, total da dívida acumulada da CSN é de R$ 516 milhões.

Desde então, alguns rodoviários foram admitidos pelos outros dois consórcios que operam o transporte público na capital baiana.

Os trabalhadores disseram que nem todos receberam as verbas de rescisão e realizaram protestos ao longo do ano. Em novembro, a categoria organizou manifestações em dois dias seguidos para cobrar o pagamento dos valores.

No dia 2 de dezembro, um grupo fez uma passeata entre a Rótula do Abacaxi e a Avenida ACM em reivindicações pela mesma pauta.

À época, a prefeitura de Salvador disse que cerca de 1,6 mil rodoviários já haviam sido admitidos pelas companhias e outros estão em cursos de requalificação profissional e treinamentos.

Fonte: G1 Bahia

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